O feminismo provocou mudanças profundas nas relações conjugais e na rotina dos casais. Paralelamente, muitos homens perderam antigas referências de masculinidade e hoje questionam qual é o seu papel nos relacionamentos. Essas alterações afetam a convivência, o desejo e a sexualidade, sendo necessário debater o tema de forma aberta. Questões como relacionamento aberto e as novas classificações e discussões sobre CIDs, que podem impactar a sexualidade e a vida das pessoas, também serão tratadas no Simpósio InPaSex 30 anos, marcado para os dias 30 e 31 de outubro, em São Paulo, em comemoração ao aniversário de três décadas do Instituto Paulista de Sexualidade.
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Carla Zeglio destaca um dos temas que estarão em pauta: a importância de ressignificar o que é ser homem. Segundo ela, é preciso ir além dos padrões tradicionais de masculinidade, valorizando o respeito às diferenças, a responsabilidade afetiva e a abertura para reconhecer emoções e vulnerabilidades. O evento busca promover um diálogo aberto, acolhedor e fundamentado em conhecimento científico sobre relacionamentos amorosos, sexualidade, família e mudanças de comportamento, aproximando as discussões da sexologia das experiências do cotidiano.
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“A proposta é olhar não apenas para o que mudou ao longo dos últimos 30 anos, mas também para os novos desafios enfrentados por casais, famílias e indivíduos diante das transformações sociais, afetivas e sexuais”, afirma Carla Zeglio, psicóloga, sexóloga e diretora do InPaSex.
O simpósio é direcionado a profissionais, pesquisadores, estudantes e também a qualquer pessoa interessada em debater relacionamentos e sexualidade, criando um espaço de diálogo entre especialistas e diferentes vivências.
Sexualidade para além do consultório
Os relacionamentos passaram por mudanças, a forma de falar sobre sexualidade também mudou e as demandas que chegam aos consultórios são outras: “Celebrar os 30 anos do InPaSex também significa olhar para essas transformações e conversar de forma franca, sem julgamentos, sobre como elas aparecem na vida real, nos casais e nas famílias”.
A programação do evento reflete a diversidade de temas que atualmente atravessam os relacionamentos e a sexualidade. Entre os assuntos estão amor, terapia de casal, sexualidade e afetividade, masculinidades, feminismo, sexualidades indígenas, sexualidade da população negra, autismo e sexualidade, além de terapia sexual contemporânea.
“O objetivo é que as pessoas possam compreender que sexualidade não é um tema isolado. Ela está ligada à maneira como criamos vínculos, demonstramos afeto, formamos famílias e lidamos com nossas próprias mudanças ao longo da vida. Queremos aproximar o conhecimento científico dessas experiências cotidianas”, acrescenta Carla.
Dois dias de debates
A abertura, na sexta-feira (30), será conduzida por Oswaldo M. Rodrigues Jr., fundador e diretor do InPaSex, e Carla Zeglio, que vão apresentar a história do instituto.
O primeiro dia contará com discussões sobre sexualidades autóctones, com Casé Angatu; feminismo e escuta terapêutica, com Caroline Sardá; além da presença da artista drag e comunicadora Ikaro Kadoshi. Carla Zeglio, Anna Queiroz e Danilo de Sá também vão liderar o painel “TEA: SexPectro”, que trata da relação entre autismo e sexualidade.
No sábado (31), Elisabete Aparecida Pinto abordará sexualidade, raça e afetividade das mulheres negras. Thiago Oliveira falará sobre as transformações das masculinidades, e o psicólogo Hélio Guilhardi apresentará a palestra “O amor”.
A programação científica será encerrada por Oswaldo M. Rodrigues Jr. com a palestra “Terapia Sexual Contextual”. Ao final do segundo dia, os participantes poderão participar da HalloweInPaSex, festa comemorativa dos 30 anos do instituto, com jantar e confraternização.
O InPaSex
Fundado em 1996, o InPaSex realiza atividades de psicoterapia sexual, terapia de casal, formação profissional, além de produzir e divulgar conhecimento científico sobre sexualidade. O simpósio comemora os 30 anos dessa trajetória e propõe também uma reflexão sobre os caminhos que a sexologia e os relacionamentos humanos devem seguir nos próximos anos.
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