O apoio do ex-presidente Michel Temer (MDB) a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 provocou questionamentos entre integrantes do PT e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos bastidores, lideranças petistas suspeitam que a aproximação esteja relacionada a um possível acordo para impedir o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), caso Flávio seja eleito. Interlocutores dos dois políticos negam a existência de qualquer negociação nesse sentido.
A suspeita envolve a relação de Temer com Moraes, indicado pelo ex-presidente ao Supremo em 2017. Segundo relatos de integrantes do PT, uma eventual negociação teria como objetivo garantir a permanência do ministro na Corte ou viabilizar uma saída antecipada, evitando que ele enfrentasse um processo de impeachment no Senado.
Um dos que levantaram essa hipótese foi o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo e próximo ao presidente. Para ele, o apoio de Temer ao candidato do PL estaria relacionado a interesses políticos que vão além da disputa eleitoral.
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“O ex-presidente Michel Temer não faz nada de graça, como todos nós sabemos. É um velhaco da política. Deve ter feito um acordo para salvar o seu ministro, que, inclusive, trabalhou para que ele fosse contratado pelo Banco Master”, afirmou Marco Aurélio.
O advogado também questionou a aproximação entre os dois políticos. Segundo ele, o apoio do ex-presidente ao candidato já existia antes de ser anunciado publicamente. “O apoio dele (Temer) ao Flávio só não tinha sido publicizado, mas todo mundo sabia que ele trabalhava desde o 1º turno. Tentaram colocar o Alexandre de Moraes no nosso colo, mas, na verdade, ele nunca saiu do colo do Temer”, declarou.
Marco Aurélio ainda afirmou que a aliança “só confirma que o Flávio é o candidato do sistema e vai trabalhar para acomodar interesses não republicanos e impedir as reformas pelas quais o estado tem que passar”.
Outra liderança nacional do PT, ouvida nos bastidores, apresentou uma hipótese diferente para o suposto entendimento. Segundo essa avaliação, Moraes poderia antecipar sua aposentadoria em 2027, antes de assumir a presidência do STF, prevista para setembro daquele ano.
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Nesse cenário levantado pelo dirigente petista, a saída antecipada abriria caminho para que Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro, assumisse a presidência do tribunal. A possibilidade, no entanto, é tratada como especulação e não há confirmação de que Moraes pretenda deixar o cargo.
Pessoas próximas a Temer e a Flávio Bolsonaro rejeitam a existência de um acordo envolvendo o futuro do ministro. Entre aliados do candidato do PL, a avaliação apresentada é de que a composição do Senado após as eleições dificultaria qualquer tentativa de impedir um eventual processo de impeachment contra Moraes.
Até o momento, as suspeitas relatadas por integrantes do PT não foram acompanhadas de provas de uma negociação entre Temer e Flávio Bolsonaro. Também não há confirmação de qualquer decisão de Alexandre de Moraes sobre uma possível aposentadoria antecipada.


