A decisão de exibir “Roque Santeiro” no lugar de “Além do Tempo” na Edição Especial pegou de surpresa até mesmo quem acompanha de perto as movimentações da Globo. A novela de Dias Gomes, com coautoria de Aguinaldo Silva, foi lançada originalmente em 1985 e retorna à TV aberta 41 anos depois, na tarde desta segunda-feira (5).
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O fato de ser uma produção tão antiga torna a escolha ousada, mas não sem justificativa. Por trás da decisão, estão fatores como a audiência nas tardes, a estratégia de valorizar o acervo e, principalmente, a força renovada dos clássicos junto ao público. A seguir, confira cinco razões que ajudam a entender por que a Globo decidiu trazer “Roque Santeiro” de volta.
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1. A Globo quer recuperar a força da Edição Especial
O primeiro motivo é prático: audiência. “Além do Tempo” não conseguiu alcançar na faixa o mesmo desempenho de outras novelas reprisadas antes dela, e a Globo busca uma trama capaz de atrair novamente o público para o início das tardes.
A estratégia é relevante porque a emissora aposta no chamado efeito cascata: quanto maior a audiência no começo da tarde, melhor o público entregue para os programas seguintes, fortalecendo a grade até o horário nobre. Assim, a escolha de “Roque Santeiro” também representa uma tentativa de transformar a Edição Especial novamente em um evento.
2. O sucesso dos clássicos mostrou que novela antiga pode ser uma boa escolha
Durante muitos anos, a idade de uma novela era vista como obstáculo para seu retorno à TV aberta. Esse entendimento começou a mudar.
A Globo passou a experimentar reprises de novelas cada vez mais antigas e percebeu que há um público interessado em rever tramas de outras décadas. “Terra Nostra”, por exemplo, reforçou internamente a possibilidade de buscar títulos mais antigos no acervo, em vez de limitar as escolhas a produções recentes. Agora, a expectativa é repetir esse movimento com uma obra ainda mais distante no tempo.
“Roque Santeiro” leva essa experiência ao extremo: trata-se de uma novela de 1985 ocupando uma faixa diária na TV aberta em 2026.
3. É uma das novelas mais emblemáticas da história da Globo
Ao decidir correr o risco de exibir uma produção com mais de 40 anos, a Globo escolheu uma novela com um histórico difícil de igualar.
“Roque Santeiro” foi um grande sucesso em sua exibição original. A trama bateu recordes desde os primeiros capítulos e entrou para a história da televisão brasileira. Personagens como Viúva Porcina (Regina Duarte), Sinhozinho Malta (Lima Duarte) e o próprio Roque (José Wilker) continuam conhecidos mesmo para quem nunca acompanhou toda a história.
Ou seja: a Globo aposta em uma novela antiga, mas que é amplamente reconhecida. “Roque Santeiro” é praticamente uma marca dentro da emissora.
4. O enredo envelheceu menos que sua estética
Talvez esse seja o principal motivo artístico para a escolha.
O visual denuncia que “Roque Santeiro” foi feita nos anos 1980, mas os temas abordados continuam muito atuais. Asa Branca sobrevive economicamente explorando o mito de um santo que não é santo. Em torno dessa mentira, giram interesses políticos, religiosos e comerciais.
Dias Gomes utilizou humor, realismo fantástico e personagens populares para discutir poder, fé, oportunismo, manipulação e exploração econômica da crença popular. Questões que seguem presentes no Brasil de 2026.
Essa atualidade faz da reprise algo mais provocador do que simplesmente apostar na nostalgia.
5. A Globo quer transformar seu acervo em novidade
Há ainda um movimento maior por trás da decisão. A Globo vem tratando seu acervo não apenas como memória, mas como conteúdo capaz de gerar audiência novamente.
O resgate de novelas antigas, as homenagens a artistas e programas históricos e a utilização do acervo em diferentes plataformas mostram que a nostalgia ganhou um papel estratégico. “Roque Santeiro” pode servir como um teste importante: até onde é possível voltar no tempo sem perder o público da TV aberta.
Se uma novela de 1985 conseguir funcionar diariamente em 2026, a Globo amplia bastante as opções para novas reprises no futuro.
E talvez esse seja o maior interesse em “Roque Santeiro”. Mais do que saber se Viúva Porcina, Sinhozinho Malta e outros personagens ainda conquistam audiência, a emissora quer descobrir se um clássico pode deixar de ser apenas memória afetiva e voltar a ser produto de TV aberta.
O resultado dessa experiência pode influenciar quais novelas a Globo terá coragem de resgatar daqui para frente.
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