Isabelle Caracristi, de 22 anos, descobriu semanas após iniciar o relacionamento com João Munhoz Neto, de 34, que ele era casado oficialmente. Pouco antes de morrer, em 13 de setembro, no condomínio La Piazza, na Aldeota, em Fortaleza, a estudante de Direito enviou um áudio de cerca de 13 minutos a um parente em que relatava o relacionamento que vivia, dizia se sentir explorada e mencionava ameaças. As informações são do Diário do Nordeste.
Isabelle e João se conheceram na faculdade e se aproximaram em julho, quando ela começou a estagiar no escritório de advocacia onde ele trabalhava e passou a ser diretamente subordinada a ele. Cerca de um mês antes da morte da jovem, os dois deixaram o local. Segundo o relato apresentado à Polícia Civil do Ceará (PCCE), João teria saído por querer montar um escritório semelhante. O motivo da saída de dela não foi informado.
Um documento obtido pelo Diário do Nordeste aponta que João havia se casado com uma fisioterapeuta em janeiro do ano passado, em um cartório de Iguatu, no interior do Ceará. O casal se separou nos primeiros dias de agosto. No documento do divórcio, assinado consensualmente, consta: “Ocorre que a vida em comum tornou-se inviável em razão da insuperável impossibilidade de convivência conjugal”.
Segundo o parente ouvido pelas autoridades, Isabelle também descobriu que a ex-esposa havia deixado o relacionamento, após quase dois anos de casamento, “sem nada”. A estudante teria confidenciado à mesma pessoa que também se sentia explorada pelo namorado.
Uma semana antes de morrer, Isabelle voltou a procurar o parente para falar sobre o relacionamento. Durante uma ligação, ela teria afirmado que “não suportava mais” João e seus comportamentos abusivos. A testemunha contou ter ouvido o namorado da jovem, ao fundo, ordenar que ela encerrasse a chamada. “Estou mandando”, teria dito ele. “Você não manda em mim”, teria respondido Isabelle.
Na noite de sua morte, a universitária enviou ao mesmo parente um áudio de aproximadamente 13 minutos. No relato, afirmou que se sentia explorada por João, que não aguentava mais os “jogos emocionais”, que era ameaçada constantemente e indicou que a gravação deveria servir como prova caso algo acontecesse com ela. “Não acredite nele”, pediu.
Isabelle morreu por volta das 20h40 do dia 13 de setembro. Segundo a Perícia Forense do Ceará (Pefoce), o corpo apresentava lesões “compatíveis com o impacto contra o solo”. De acordo com a apuração do Diário do Nordeste, a estudante caiu do terraço do edifício, localizado no 23º andar.
Imagens das câmeras de segurança mostram João indo até a portaria do condomínio às 18h32. Às 19h12, Isabelle aparece sozinha dentro do elevador, com o celular na mão, seguindo em direção ao terraço. A queda e o impacto contra o solo foram registrados às 20h40.
Uma equipe do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur) chegou ao condomínio às 20h51. João retornou ao prédio às 22h48, cerca de duas horas depois da morte da estudante.


