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Carlo Ancelotti inicia renovação na Seleção e confirma saída de Neymar, Casemiro e Danilo para ciclo até 2030

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Carlo Ancelotti começou a planejar uma nova Seleção Brasileira após a eliminação na Copa do Mundo. Em entrevista nesta quarta-feira (29/7), 24 dias depois da derrota para a Noruega nas oitavas de final, o técnico confirmou que Neymar, Casemiro e Danilo não estão nos planos para o próximo ciclo e sinalizou que o grupo passará por uma grande renovação.

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A alteração, porém, não será total. Ancelotti declarou que pretende manter alguns atletas experientes para garantir continuidade ao trabalho iniciado no último ano. Marquinhos foi citado pelo treinador italiano como um dos jogadores que podem seguir no elenco.

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“Acredito que com essa Copa do Mundo se encerra uma geração de jogadores muito importantes. Começando pelo Neymar. Passando por Danilo, Casemiro, todos esses atletas que na Copa do Mundo já tinham mais de 30 anos”, afirmou.

O treinador explicou que os próximos amistosos servirão para ampliar a análise de atletas que ainda tiveram poucas chances na equipe principal. A prioridade no momento será montar uma Seleção forte para a Copa América de 2028, enquanto o planejamento de longo prazo está voltado para o Mundial de 2030.

“Vamos observar novos jogadores que possam não só chegar à próxima Copa do Mundo de 2030, mas já serem competitivos no primeiro objetivo, que é a Copa América de 2028”, ressaltou.

Apesar do fim de ciclo para Neymar, Casemiro e Danilo, Ancelotti descartou uma ruptura total com o grupo que disputou a Copa. Segundo ele, alguns jogadores experientes poderão ajudar na transição para a nova geração.

“Não vou dizer que vou mudar todos os 26. Vamos manter alguns jogadores importantes, que podem dar seguimento à linha de trabalho, como o Marquinhos, por exemplo. Acho importante que ele fique para dar um sinal de continuidade ao projeto. Mas a ideia é mudar, trazer uma nova geração”, explicou.

A reformulação será feita ao longo dos próximos quatro anos. Ancelotti retornou ao Rio de Janeiro na terça-feira (28/7) e, junto ao departamento de seleções da CBF, iniciou as observações para a próxima convocação. O Brasil terá amistosos contra Austrália e Índia entre setembro e outubro.

O técnico também planeja estreitar a relação com as categorias de base. Para ele, jogadores da Seleção sub-20 podem conquistar espaço no processo de formação do grupo que irá ao Mundial de 2030.

Copa América de 2028 é o primeiro alvo:

Ancelotti definiu a Copa América de 2028 como a primeira meta competitiva do novo ciclo. O treinador afirmou que o período até a próxima Copa do Mundo permitirá construir a equipe de maneira gradual, sem antecipar todas as decisões.

“É um processo diferente, pois teremos quatro anos. Precisamos fazer muitas coisas no primeiro ano, considerando também que tivemos oito lesões entre março e junho, o que mudou um pouco a estrutura do time. Então, a verdade é que sempre haverá pressão. Mas acredito que é uma pressão diluída no tempo. O primeiro objetivo não será a Copa do Mundo de 2030, o primeiro objetivo é a Copa América, vamos tentar ganhar a Copa América em 2028”, declarou.

Entre os jovens já observados pelo treinador estão Estêvão, Rayan, Endrick e Vitor Reis. Ancelotti afirmou ainda que novos goleiros serão avaliados no futebol brasileiro, embora tenha destacado a experiência de Alisson e Ederson.

“Acho que precisamos observar novos goleiros. E existem novos goleiros. Há goleiros jovens atuando no Campeonato Brasileiro que devemos acompanhar. Considerando as qualidades que Alisson e Ederson ainda possuem. A ideia é fazer uma avaliação muito cuidadosa desses novos goleiros”, pontuou.

Erro contra a Noruega:

A derrota que eliminou o Brasil da Copa também foi tema da entrevista. Ancelotti afirmou que a preparação feita durante o primeiro ano de trabalho foi adequada, mas admitiu que errou ao alterar a estrutura do time no segundo tempo contra a Noruega.

A mudança ocorreu após a parada para hidratação. Neymar e Danilo Santos entraram nos lugares de Rayan e Martinelli, enquanto Endrick passou a jogar mais aberto.

“A autocrítica que posso fazer, que fiz depois do jogo, é que mudei a estrutura da equipe após a parada para hidratação e aí perdemos o controle da partida”, disse.

Ancelotti explicou que a entrada de Neymar tinha como objetivo aumentar a qualidade ofensiva e retomar o domínio do jogo, mas reconheceu que a alteração teve efeito contrário.

“Acho que naquele momento mudou algo no time. Perdemos um pouco o controle pelo lado. Com a entrada do Neymar, pensei em recuperar o controle da partida. Colocar mais qualidade na frente para vencer o jogo. Isso faz parte das decisões. Você precisa tomar decisões em um jogo eliminatório. Como contra o Japão. Às vezes as escolhas são corretas porque o resultado te recompensa. Outras vezes as decisões são ruins porque o resultado não te recompensa”, refletiu.

O treinador ainda disse que não considera correto avaliar todo o trabalho feito desde sua chegada apenas pelo resultado diante da Noruega: “É um erro analisar um trabalho só pelo resultado. O resultado contra a Noruega foi muito ruim para todos, muito decepcionante, muito triste. Mas, por trás disso, houve um trabalho de um ano, uma preparação para a Copa que, todos pensam, não só eu, foi bem feita”.

Neymar já foi comunicado:

Ancelotti contou que conversou com jogadores que tiveram o ciclo encerrado após a Copa. No caso de Neymar, o técnico destacou que o atacante já havia deixado claro, publicamente, que não continuaria na Seleção.

“Já conversei com eles depois da Copa do Mundo. Falei com alguns quando tomamos a decisão final e vou conversar com eles, não tenho problema com ninguém. Falei com alguns nesse período. Ontem (terça), o Neymar foi muito claro na declaração de que acabou o tempo dele na Seleção, e isso é um caminho natural na carreira de qualquer jogador. Uma hora ou outra, chega ao fim”, comentou.

O treinador também explicou novamente a decisão de manter Neymar na Copa, mesmo após o jogador chegar ao torneio sem a mesma preparação dos demais. Segundo Ancelotti, exames feitos após contato do Santos indicaram que o atacante não estaria pronto para a estreia, mas teria condições de jogar o restante do campeonato.

“Foi uma pena, porque Neymar não teve oportunidade de se preparar como os outros. Mas nunca pensamos em trocar o Neymar por isso, pois ele tinha condição de ficar bem, como mostrou na partida contra a Noruega”, recordou.

Estilo será adaptado aos jogadores:

Outro tema abordado pelo técnico foi o modelo de jogo. Ancelotti defendeu que a Seleção não precisa, necessariamente, controlar as partidas com posse de bola e afirmou que o estilo deve se adaptar às características dos atletas disponíveis.

“Acredito que o time deve ter um estilo baseado nas características dos jogadores. É verdade que você pode ser criticado porque a equipe teve menos posse do que a Noruega. A estrutura, as características dos jogadores não são de um time de posse. Quando você tem na frente jogadores como Vinicius, Endrick, Estêvão e Raphinha, não é preciso fazer um jogo de posse. Tem que ser um jogo mais vertical”, explicou.

Para Ancelotti, a presença de atacantes que exploram a profundidade favorece uma proposta mais vertical. O italiano citou a Espanha, campeã do mundo, como exemplo de uma equipe com características diferentes no meio-campo.

“Eu acho que há jogos em que ter menos posse de bola não é tão determinante, porque depende das características dos jogadores. Quando um time tem na frente Vinicius Junior, Endrick e Estêvão, que atacam muito a profundidade, tem que fazer um jogo mais vertical que os outros”.

Itália procurou Ancelotti:

Durante a entrevista, o técnico também confirmou que foi procurado pela Federação Italiana para assumir a seleção de seu país. A possibilidade foi recusada por Ancelotti, que decidiu manter seu compromisso com o Brasil.

“Houve contato da federação, mas não é uma questão de contrato, e sim de compromisso. Tenho compromisso com o Brasil não só por ter assinado o contrato. Tenho compromisso pelo ano que vivi aqui, fui muito bem recebido e não quero romper esse compromisso. Quero continuar trabalhando e seguir com a Seleção”, afirmou.

Ancelotti também disse que pretende passar mais tempo no Brasil durante o novo ciclo. O treinador contou que mora no Rio de Janeiro e mantém uma residência no Canadá.

“Eu moro no Rio e, em alguns períodos, fico na minha casa no Canadá. Vivo no Rio, pago imposto no Rio, sou residente fiscal aqui. Isso não quer dizer que não passe alguns dias na minha casa”.

Novo ciclo começa em setembro

A primeira oportunidade para Ancelotti testar a nova formação da Seleção será nos amistosos de setembro e outubro. O Brasil

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