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Monique Medeiros enfrenta ameaças e isolamento após deixar prisão, diz advogado

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Pouco mais de duas semanas após sair do sistema prisional, Monique Medeiros tenta retomar sua vida longe da exposição. Em entrevista exclusiva à repórter Patrícia Teixeira, do portal LeoDias, o advogado Hugo Novais detalhou como está a rotina da ex-professora após o julgamento que a condenou por tortura por omissão e concedeu a ela perdão judicial pelo homicídio culposo na morte de Henry Borel.

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De acordo com o defensor, a liberdade conquistada após quase cinco anos presa não representou um retorno à vida normal. Monique é alvo frequente de ameaças e campanhas de ódio nas redes sociais, vivendo atualmente uma espécie de “segunda prisão”, evitando se expor publicamente por medo de sofrer represálias.

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“Qualquer limitação que uma pessoa sofra por conta de ameaça acaba se tornando uma segunda prisão. Claro que não se compara ao cárcere, mas Monique vive acuada. Ela recebe, de várias formas, campanhas de ódio, o que faz com que fique cada vez mais reservada”, afirmou Hugo.

Segundo o advogado, desde que saiu da cadeia, Monique praticamente não deixa sua residência: “Ela não sai. Não vai nem até a esquina comprar um refrigerante. A vida dela hoje é extremamente restrita por conta das ameaças que segue recebendo”, contou.

Sem trabalho e distante da vida social que tinha antes da prisão, como frequentar academia e salão de beleza, Monique tem dedicado grande parte do tempo ao estudo do processo.

De acordo com Hugo, a ex-professora passa horas analisando depoimentos, laudos periciais, decisões judiciais e outros documentos produzidos durante a investigação e o andamento do caso: “Ela conhece esse processo como poucas pessoas conhecem. Estamos falando de mais de 20 mil páginas que ela estuda diariamente”, afirmou.

“Monique nunca conseguiu viver o luto do Henry”

Na opinião do advogado, a longa disputa judicial impediu Monique de elaborar emocionalmente a morte do filho. A dor da perda, segundo ele, foi totalmente absorvida pelo processo criminal: “Ela nunca conseguiu viver o luto do Henry. Durante anos, precisou sobreviver às acusações, audiências, depoimentos e à prisão. Não houve espaço para viver o luto de forma adequada”, pontuou.

Para a defesa, além de todo o desgaste causado pelo processo, Monique ainda teve que lidar com a demissão de um cargo público que ocupava na Prefeitura do Rio de Janeiro. Hugo criticou a decisão e disse que a exoneração não seguiu os trâmites normais: “Essa demissão não tem compromisso com os princípios constitucionais da administração pública. Ela tem compromisso com o eleitor, com a politicagem”, declarou.

O advogado informou que ainda analisa as circunstâncias da demissão e não descarta tomar medidas judiciais futuramente. Atualmente, segundo ele, Monique recebe apoio financeiro de familiares enquanto tenta reorganizar sua vida.

Medo de voltar para a prisão

Apesar de estar em liberdade, a defesa acompanha atentamente a fase de recursos do processo. O Ministério Público, o assistente de acusação e a defesa de Dr. Jairinho já apresentaram recursos questionando pontos da decisão do júri. Embora afirme confiar na legalidade do julgamento conduzido pela juíza Elizabeth Machado Louro, Hugo admite que há um temor natural diante da possibilidade de reavaliação do caso pelos tribunais.

“O medo é inerente a qualquer pessoa que atua nesse caso. É claro que me causaria enorme frustração ver um Tribunal de Justiça anular um trabalho feito de forma tão correta, tão constitucional e tão respeitosa às garantias processuais”, comentou.

“O problema da Monique foi nascer mulher”

Durante a entrevista, Hugo também criticou a forma como Monique foi julgada pela opinião pública e afirmou que houve uma cobrança social diferente por ela ser mãe. Segundo ele, grande parte das críticas direcionadas a Monique vem da expectativa de que uma mãe consiga prever e impedir qualquer situação de risco envolvendo um filho: “O problema da Monique foi nascer mulher. Não é possível que jurados, diante de um processo dessa magnitude, tenham chegado a uma conclusão favorável a ela se não existisse nos autos tudo aquilo que a defesa demonstrou ao longo do julgamento”, declarou.

Para o advogado, a decisão dos jurados e o perdão judicial concedido pela magistrada mostram que o caso tem nuances bem mais complexas do que aquelas apresentadas ao público nos últimos anos. No dia 4 de junho, Monique Medeiros e o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, foram condenados pela morte de Henry Borel. Monique recebeu perdão judicial pelo homicídio culposo e cumprirá, em liberdade, pena de 1 ano e 4 meses por tortura por omissão. Já Jairinho foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo.

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