Quase 17 anos depois da maior tragédia aérea da história da França, a Justiça europeia tomou uma decisão histórica nesta quinta-feira (21/5). O tribunal de apelação de Paris condenou as empresas Air France e Airbus “por homicídios culposos” no caso do voo AF447, que caiu no Oceano Atlântico em 2009, causando a morte de 228 pessoas em um trajeto do Rio de Janeiro para Paris.
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Segundo o G1, a nova decisão reverte o resultado polêmico de 2023, quando um tribunal de instância inferior havia absolvido as companhias. Na ocasião, os juízes reconheceram falhas e negligências, mas alegaram que não havia ligação causal clara.
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Agora, a situação mudou: os magistrados classificaram as duas empresas como as “únicas responsáveis” pela queda e determinaram a aplicação da multa máxima prevista na lei francesa, no valor de 225 mil euros (aproximadamente R$ 1,3 milhão) para cada uma. O sumiço do moderno Airbus A330-200 chocou o mundo e mobilizou operações complexas de busca no fundo do mar.
As gravações das caixas-pretas mostraram que o acidente teve início com o congelamento das sondas Pitot (sensores que medem a velocidade do avião) enquanto a aeronave atravessava uma área de forte instabilidade climática perto da Linha do Equador. Desorientada, a tripulação reagiu de forma inadequada e perdeu o controle do avião.
Durante as oito semanas do novo julgamento, o Ministério Público foi categórico ao afirmar que as falhas das empresas “contribuíram, de forma certa, para que o acidente aéreo ocorresse”. A Airbus foi responsabilizada por subestimar a gravidade dos defeitos recorrentes nos sensores e por demorar a alertar as companhias aéreas. Já a Air France foi condenada por não treinar seus pilotos de maneira adequada para lidar com esse tipo de emergência.
Vitória moral para as famílias das vítimas
Mesmo com o valor da multa considerado baixo diante do faturamento bilionário das empresas do setor aéreo, os familiares das vítimas, em sua maioria brasileiros, franceses e alemães, receberam a condenação como um alívio e uma validação oficial da dor que sentem desde 2009.
Ressaltando o peso da decisão e o impacto na imagem das empresas, o promotor Rodolphe Juy-Birmann afirmou na reta final do processo: “Esta condenação lançará desonra, um descrédito sobre as duas empresas, e deve servir como um alerta”.
Apesar da vitória no tribunal de apelação representar o fim de um ciclo doloroso de 17 anos, especialistas em direito avaliam que Air France e Airbus ainda podem recorrer à mais alta instância do país, o que pode adiar o encerramento definitivo do caso por mais alguns anos.



