Mulheres da tribo Dani, que vive em regiões montanhosas da Papua, na Indonésia, realizam um ritual tradicional que envolve a amputação da parte superior dos dedos como forma de expressar luto pela morte de familiares. A prática, conhecida como Ikipalin, foi proibida pelo governo indonésio, mas ainda é identificada em integrantes mais velhas e, segundo relatos, pode continuar ocorrendo de forma discreta.
O costume está ligado à crença de que a dor física ajuda a afastar o espírito do falecido e simboliza o sofrimento emocional da perda. Em alguns casos, a amputação é feita por parentes próximos durante o período de luto.
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De acordo com registros, o procedimento pode ser realizado com lâminas de pedra ou por métodos alternativos, como amarrar o dedo para interromper a circulação até que o tecido morra. Após a remoção, a ferida é cauterizada para conter o sangramento, e o fragmento é queimado ou enterrado.
Há relatos de que, em situações específicas, mães chegaram a morder os dedos de bebês como parte de crenças relacionadas à proteção ou diferenciação da criança.
O povo Dani soma cerca de 250 mil pessoas e vive em áreas remotas da Papua. A tribo foi registrada pela primeira vez em 1938, durante uma expedição aérea liderada pelo explorador Richard Archbold.
Além do ritual de luto, os Dani mantêm outras tradições, como o uso do “koteka”, uma vestimenta feita de cabaça utilizada pelos homens, e a mumificação de guerreiros considerados importantes para a comunidade.
Segundo o explorador Markus Roth, que visitou a região, um dos exemplos é a múmia de um guerreiro chamado Kurulu, preservada há séculos e exibida na aldeia: “Uma das coisas mais impressionantes que vi foi a múmia de Kurulu, que dizem ter pelo menos 370 anos”.



