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Lázaro Ramos surpreende como vilão em “A Nobreza do Amor” e mostra versatilidade em “Os Outros”

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Durante muitos anos, Lázaro Ramos construiu na televisão uma imagem bastante definida: a do homem íntegro, do herói possível, daquele personagem popular em que o público se reconhece. Isso não aconteceu por acaso, mas sim por escolha. O próprio ator já afirmou algumas vezes que preferiu seguir esse caminho, ciente do impacto desses papéis na maneira como ele é visto e, principalmente, representado. Talvez por esse motivo, a mudança tenha levado tanto tempo. Agora, ela finalmente aconteceu, e em dose dupla: em “A Nobreza do Amor” e na série “Os Outros”.

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No ar como o vilão Jendal na novela das seis da Globo, Lázaro tem recebido elogios quase unânimes. Não apenas pela força do personagem, mas também pela forma como ele assume esse papel. Não se trata de um vilão caricato ou previsível. Existem camadas, contradições e, acima de tudo, um desconforto que funciona. O público estranha; e isso é excelente.

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Mas o que chamou ainda mais atenção foi o que se passou fora da novela. Na noite desta segunda-feira (13), a TV Globo exibiu o episódio de estreia de “Os Outros”, produção já disponível no Globoplay, e ali surgiu um outro Lázaro. Interpretando Roberto, um engenheiro explosivo, frustrado e marcado pela vida, o ator se lança em um tipo de personagem que também foge totalmente da zona de conforto construída ao longo da carreira.

E é aí que está o ponto mais interessante dessa trajetória. Lázaro sempre foi um ator popular — no melhor sentido da palavra. É alguém de quem o público gosta, confia, se identifica. E justamente por isso, qualquer mudança precisa ser planejada. Não é fácil para um ator com esse valor simbólico trocar o carinho pela rejeição, mesmo que passageira, que um vilão inevitavelmente traz.

Ele aguardou. E talvez tenha esperado até o momento ideal. Hoje, com uma carreira consolidada, respeito artístico e um público fiel, Lázaro consegue fazer essa transição com segurança e, mais do que isso, com liberdade. Pode ser odiado em cena sem perder o afeto fora dela. Pode causar desconforto sem precisar se explicar.

O resultado é o que começamos a ver agora: um ator que já era talentoso, mas que ganha novas camadas ao se permitir arriscar. Demorou. Mas, quando chegou, veio com força.

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