A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o teplizumabe, comercializado como Tzield pela Sanofi, para retardar a evolução do diabetes tipo 1 em adultos e crianças a partir dos 8 anos no estágio 2, fase em que ainda não há manifestações clínicas da doença. A endocrinologista Melanie Rodacki, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ressaltou que essa permissão significa uma mudança de paradigma no tratamento, ao possibilitar a modulação imunológica antes do aparecimento dos sintomas e ganhar tempo para educação e adaptação das famílias.
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O teplizumabe atua protegendo as células beta do pâncreas — responsáveis pela produção de insulina — e, assim, adia a progressão para a forma clínica do diabetes tipo 1, quando já se torna imprescindível a administração diária de insulina. O protocolo consiste em infusões intravenosas diárias por duas semanas consecutivas, visando preservar a massa funcional de células produtoras de insulina antes que os sintomas surjam.
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Viver com diabetes tipo 1 implica monitorar constantemente diversos fatores que influenciam os níveis de glicose no sangue. Estima-se que mais de 40 variáveis intervenham nesse controle, demandando, em média, 180 decisões diárias — conscientes ou não — sobre alimentação, atividade física, monitoramento de glicemia e doses de insulina. Essa rotina intensa afeta a qualidade de vida e gera impacto emocional significativo para pacientes e suas famílias.
O diabetes tipo 1 é uma enfermidade autoimune, crônica e progressiva, caracterizada pela destruição das células beta do pâncreas pelo próprio sistema imunológico. Sem insulina, o organismo não consegue regular adequadamente a glicose, o que pode culminar em cetoacidose diabética, complicação grave que exige atendimento hospitalar imediato. Apesar disso, exames laboratoriais simples conseguem detectar autoanticorpos e elevações na glicose antes dos sintomas clínicos.
Em estágios iniciais (1 e 2), o diabetes tipo 1 ainda não provoca sinais perceptíveis, mas já se observam marcadores imunológicos e alterações na glicemia. No estágio 3, inicia-se a hiperglicemia recente, acompanhada de sede excessiva, perda de peso, cansaço e visão embaçada. O estágio 4 corresponde ao diabetes tipo 1 estabelecido. “Ao identificar dois ou mais autoanticorpos, sabemos que a progressão para a forma clínica é praticamente certa. Com Tzield, podemos intervir precocemente e oferecer mais segurança às famílias”, destaca Melanie Rodacki.
O mecanismo de ação do Tzield envolve a redução da atividade de células T autorreativas, responsáveis por atacar as ilhotas pancreáticas, ao mesmo tempo em que estimula subpopulações de células imunorreguladoras. Dessa forma, busca-se prolongar o período sem sintomas e adiar a dependência de insulina exógena.
A aprovação pela Anvisa baseou-se em estudo clínico que demonstrou adiamento médio de dois anos para o diabetes tipo 1 clínico em comparação com placebo e redução de 59% no risco de necessidade de insulina diária. Entre os efeitos adversos mais comuns estão leucopenia, erupções cutâneas e cefaleia. O uso requer atenção a advertências específicas: monitoramento para síndrome de liberação de citocinas, possibilidade de infecções graves, reações de hipersensibilidade, atualização vacinal conforme a idade e recomendação de não aplicar simultaneamente vacinas vivas, inativadas ou de mRNA durante o tratamento.



