Uma pesquisa internacional conduzida por especialistas de nove países comprovou que a alimentação nos primeiros mil dias, período que compreende a gestação e os dois primeiros anos de vida, é determinante para a saúde cardiovascular no futuro. O estudo, publicado no British Medical Journal, aponta que adultos que enfrentaram restrições severas de açúcar nesse estágio inicial possuem menor probabilidade de desenvolver condições graves, como insuficiência cardíaca e acidentes vasculares cerebrais (AVC).
Para chegar a esses resultados, cientistas da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong e da Escola de Medicina de Boston analisaram dados históricos do Reino Unido durante o racionamento de açúcar na Segunda Guerra Mundial. A equipe cruzou informações de mais de 63 mil pessoas nascidas entre 1951 e 1956, utilizando a base de dados do UK Biobank para monitorar registros médicos de infartos, arritmias e óbitos por causas cardiovasculares ao longo das décadas.
Os números revelam um impacto significativo: aqueles expostos ao racionamento desde a concepção apresentaram um risco 25% menor de sofrer infarto e 31% menor de ter um derrame em comparação aos que não tiveram restrições. Além disso, o risco de morte cardiovascular foi reduzido em 27% e o de insuficiência cardíaca em 26%. O estudo indica ainda que esses indivíduos viveram, em média, até dois anos e meio a mais sem apresentar qualquer problema cardíaco, benefício atribuído também a menores índices de diabetes e pressão arterial baixa.
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Durante o período analisado, o consumo diário de açúcar era limitado a menos de 40 gramas, sendo proibida a adição de açúcar na dieta de bebês com menos de dois anos. “Os primeiros mil dias após a concepção são uma janela crítica na qual a nutrição molda o risco cardiometabólico ao longo da vida“, concluíram os pesquisadores.


