Fotografias obtidas pela revista Veja mostram Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, em viagens internacionais ao lado da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal por suspeitas de tráfico de influência. As imagens, armazenadas na nuvem do celular da empresária, fazem parte de uma reportagem publicada pela revista sobre a relação entre os dois e os negócios que passaram a ser investigados pelas autoridades.
Entre os registros divulgados está uma viagem à Finlândia, realizada no início de 2025, quando Lulinha e Roberta foram observar a aurora boreal. Segundo a Veja, o deslocamento foi feito em um avião fretado, modelo Embraer Praetor 600, cujo valor de mercado, quando novo, ultrapassa US$ 20 milhões. A reportagem não informa que a aeronave pertencia ao filho do presidente.
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As fotografias também documentam outros momentos das viagens realizadas por Lulinha nos últimos anos. De acordo com a revista, ele esteve na Grande Muralha da China em 2025, em uma visita que teria sido custeada por um empresário e incluído um almoço nas proximidades do monumento.
Em 2024, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou das comemorações de seu aniversário em um camarote do Rock in Rio Lisboa, acompanhado da esposa. Conforme a publicação, a experiência foi oferecida por um empresário.
A Veja relata que, nos últimos quatro anos, Lulinha e familiares viajaram por diferentes continentes, utilizando, em algumas ocasiões, aeronaves fretadas ou disponibilizadas por amigos. A revista também menciona o uso de apoio logístico de embaixadas durante deslocamentos internacionais.
As imagens ganharam relevância no contexto das investigações sobre a relação de Lulinha com Roberta Luchsinger. Segundo a reportagem, a Polícia Federal identificou mensagens que levantaram suspeitas de uma possível atuação conjunta dos dois na intermediação de interesses empresariais junto ao governo federal.
A suspeita dos investigadores é de que Roberta buscava clientes interessados em negócios com órgãos públicos, enquanto Lulinha teria utilizado sua proximidade com integrantes do governo para facilitar contatos. Essas hipóteses são objeto de investigação e não representam uma conclusão judicial sobre a existência de crimes.
Uma das fotografias mencionadas pela revista mostra o filho do presidente ao lado do empresário Marcelo Checon, proprietário da MChecon Design e Cenografia, empresa especializada em eventos.
De acordo com levantamento divulgado pela Veja, a companhia passou de um contrato de R$ 197 mil com o governo federal, anterior ao atual mandato de Lula, para 13 novos contratos que somam R$ 63 milhões nos três anos seguintes.
A publicação afirma que Checon e Lulinha se conheceram em 2023, por intermédio de Fernando Bittar. A proximidade entre eles também passou a ser examinada no contexto das relações empresariais mencionadas nas mensagens analisadas pela Polícia Federal.
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Roberta, por sua vez, relatou à revista que recebia pedidos frequentes de passagens aéreas relacionados ao filho do presidente. “Reclamei mesmo dos pedidos de passagem. Está lá nas mensagens. Passagem, passagem, passagem… É caro. O Fábio tem mania de pedir passagem para todo mundo”, afirmou.
A empresária também comentou o padrão de vida de Lulinha e questionou a origem dos recursos utilizados para manter determinadas despesas. “Se a vida está boa, quem vai questionar? Ninguém questiona. Aliás, o pai não questiona. O pai era o primeiro que deveria questionar. Para efeito de raciocínio, se minha filha, por exemplo, amanhã aparece aqui com qualquer coisa diferente, eu perguntaria: ‘de onde veio isso?’ – especialmente se ela não tem capacidade financeira e nem intelectual para conseguir aquilo”, declarou.
Além das viagens, a reportagem aborda uma residência em Brasília que, segundo Roberta, era utilizada por Lulinha para hospedagem e encontros com empresários e integrantes do governo. A empresária afirmou que custeava a manutenção do imóvel, cujas despesas mensais ultrapassariam R$ 100 mil.
Entre as pessoas que teriam frequentado a casa, a Veja cita integrantes do governo federal e o empresário Antonio Carlos Camilo, conhecido como Careca do INSS, investigado no escândalo de descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Roberta afirmou que mantinha uma parceria de negócios com Lulinha, mas negou ter dividido lucros com ele. “Eu não era sócia do Careca do INSS, eu era parceira de negócios do Fábio. Não tenho esse poder todo que estão falando para decidir coisas no governo. Falarei sobre isso no momento apropriado. Mas posso adiantar que eu não fiz qualquer pagamento a ele (Lulinha). Não dividi lucro nenhum, porque não teve lucro”, declarou.
Procurado pela revista, Marco Aurélio Carvalho, advogado de Lulinha, negou irregularidades e afirmou que as viagens ocorreram em razão da amizade entre o filho do presidente e Roberta Luchsinger. “Essa suposta estratégia de atribuir responsabilidade à Roberta não procede. É especulação. É uma tentativa sórdida de criar uma intriga entre amigos. Por ora, compreendemos, assim como a defesa dela, que não temos um caso criminal propriamente dito, porque não há crime, ato de ofício. O que existe é uma pesca probatória”, declarou o advogado.
A defesa também informou que Lulinha mantém suas despesas no exterior com recursos provenientes de seu trabalho nas áreas de consultoria e governança. Ele vive com a família em Madri, na Espanha.
A reportagem da revista também registra que Roberta Luchsinger afirmou estar disposta a apresentar documentos e mensagens sobre suas relações com integrantes do governo e com a família do presidente. Até a publicação das declarações, as provas adicionais mencionadas por ela não haviam sido apresentadas publicamente.


