
Ana Paula Santana exibe a camiseta da Endurance Corrida antes de disputar os 4 km na Esplanada dos Ministérios. (Foto: Instagram)
O evento Metrópoles Endurance Corrida reúne corredores com diversos objetivos, e alguns vão além da linha de chegada. Esse é o caso de Ana Paula Santana, de 49 anos, que iniciou sua jornada nas corridas após ser diagnosticada com câncer de mama em 2025. Neste sábado (24/10), ela estará na Esplanada dos Ministérios para enfrentar mais um desafio pessoal: completar os 4 km.
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A largada está programada para as 17h30, ao pôr do sol. Além do percurso de 4 km, a corrida também oferecerá trajetos de 8 km e 16 km, incluindo uma categoria para pessoas com deficiência (PCD).
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Ana Paula encontrou a corrida de maneira inesperada. Antes do diagnóstico, ela praticava musculação e beach tennis, mas nunca havia corrido. Durante o tratamento, decidiu participar de uma prova de 5 km, sem acreditar que conseguiria completar.
"Eu achava que não ia dar conta, porque nunca tinha corrido nem 2 km, quem dirá 5 km. Aí eu consegui fazer os 5 km e fiquei super feliz", relata.
A experiência despertou uma nova paixão. Ela começou a seguir uma planilha de treinos e passou a monitorar sua própria evolução. Atualmente, alterna entre corrida e caminhada, buscando melhorar a cada competição.
"Eu me sinto muito bem depois que treino. Toda vez que termino, me sinto melhor. Mesmo que não seja na velocidade dos corredores atletas, mas quem sabe onde posso chegar", diz.
NOVA META
O Metrópoles Endurance Corrida será a quinta prova de Ana Paula e a primeira desde que começou a seguir uma planilha personalizada há cerca de três semanas. A expectativa é melhorar o resultado anterior nos 4 km.
"Estou muito empolgada para ver quais serão os meus resultados, mas tenho quase certeza que serão melhores do que o último", comenta.
A evolução, no entanto, precisa respeitar os limites do corpo. Um dos possíveis efeitos colaterais do medicamento que ela utiliza é o comprometimento do coração. Por isso, Ana monitora os batimentos cardíacos e alterna corrida e caminhada.
"Eu vou mais devagar do que os treinadores, os atletas normais, até meu corpo criar resistência e eu poder correr sem parar", explica.
Neste sábado (24/10), ela estará na linha de largada dos 4 km. Mais do que buscar um tempo específico, sua meta é superar o próprio resultado. "Minha meta é sempre ser melhor do que na prova anterior".
NOVO NORMAL
A corrida, entretanto, surgiu após uma notícia que mudou a vida de Ana Paula. Em março de 2025, ela recebeu o diagnóstico de carcinoma inflamatório, um tipo raro e agressivo de câncer de mama. Antes da confirmação, passou cerca de três meses com suspeita de mastite, uma inflamação da mama. Os exames de imagem não identificaram o tumor, e o diagnóstico veio após uma biópsia.
A doença também já havia atingido os ossos e os linfonodos. Inicialmente, a previsão era de seis meses de quimioterapia. A resposta do organismo aos medicamentos, porém, mudou os planos. Agora, o tratamento pode se estender por cinco ou seis anos.
"É como se fosse um dia cinza. A gente perde o chão, fica tudo muito complicado, difícil de entender", relembra.
A atividade física, que já fazia parte da rotina, ganhou ainda mais espaço. Hoje, Ana Paula procura se exercitar seis dias por semana.
Com o tempo, Ana Paula aprendeu a conviver com o tratamento sem deixar que a doença definisse toda a sua vida. No entanto, isso não significa que os dias difíceis tenham desaparecido.
"Tem dias que estou mais fortalecida e consigo lidar com isso de forma muito positiva, a ponto de até esquecer que estou em tratamento. Em outros momentos, estou mais em baixa e realmente tenho medo, entro numa frequência de tristeza. Mas também tá tudo bem", afirma.
Para ela, não é preciso esconder o sofrimento nem demonstrar força o tempo inteiro: "A gente não precisa ser forte o tempo todo. Algumas pessoas meio que esperam isso da gente, mas temos que ser leves conosco. Se tivermos que sofrer, sofremos. Se tivermos que chorar, choramos".
AJUDAR OUTRAS PESSOAS
Formada em Direito e servidora do Tribunal de Justiça, Ana Paula começou a compartilhar sua experiência no Instagram e percebeu que muitas pessoas com câncer tinham dúvidas sobre seus direitos.
Em 18 de outubro, lançou o Anacoli, projeto voluntário que oferece um guia gratuito com orientações sobre os direitos dos pacientes, documentos necessários e prazos. A iniciativa surgiu da vontade de ajudar pessoas que enfrentam dificuldades para acessar informações durante o tratamento.
"Para mim, hoje, a maior conquista é ter tido coragem de falar sobre a minha vida, falar que é possível a gente tentar viver esse novo normal da melhor forma possível", conclui.


