O mercado ilegal de apostas se expandiu após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 1.394/2026, conhecida como MP das Bets, nesta semana. A medida, que veta a exploração de apostas de quota fixa no território nacional, foi acompanhada pela identificação de milhares de links de plataformas não autorizadas. No primeiro dia após a suspensão das operações regulares, na terça-feira (6/10), mais de 40 mil links de apostas clandestinas estavam ativos. O governo federal informou que pediu o bloqueio de 13.241 sites.
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Antes da restrição, 188 sites de apostas estavam autorizados a funcionar legalmente no Brasil, segundo informações do governo federal. As operadoras precisavam seguir diversas regras para prevenir crimes, proteger os consumidores e combater práticas abusivas no setor. Entre as exigências estavam a verificação de identidade por CPF, uso de biometria facial e pagamento apenas por meios rastreáveis, como o Pix.
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De acordo com dados do Banco Central, o setor de apostas movimentava entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões a cada mês no Brasil. Desde que o segmento foi regulamentado, em 2023, o volume total superava R$ 400 bilhões. O cenário mudou em 25 de setembro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou a MP das Bets, proibindo a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país.
Lula afirmou que jogos e apostas geram problemas de saúde pública e comprometem o orçamento familiar, causando impactos socioeconômicos. O presidente chegou a comparar a situação a uma doença: “Ou a gente tira o tumor ou esse tumor vai matar a gente”.
Os sites e aplicativos das plataformas regularizadas foram retirados do ar em 6 de outubro de 2026, conforme estabelecido pela medida provisória. A decisão gerou reações de empresas do setor, que criticaram a suspensão das atividades e destacaram prejuízos causados pelo encerramento repentino das operações.
No retorno do futebol brasileiro após a Data Fifa, placas de publicidade em estádios de todo o país exibiram mensagens contra a proibição. Entre os dizeres estavam: “Proibir quem segue as regras favorece quem?”, “Não se muda a regra no meio do jogo”, “A demanda não acaba, apenas muda de endereço”, “A quem interessa o mercado ilegal?” e “Quem lucra com as bets ilegais?”.
Nesta quinta-feira (8/10), o Flamengo entrou em campo para enfrentar o Santos com a frase “Proibir não é proteger” estampada no uniforme. O clube do Rio de Janeiro recebia cerca de R$ 268,5 milhões por ano pelo patrocínio master de uma empresa do setor.
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