O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que sofreu tortura psicológica, maus-tratos e ameaças veladas enquanto estava preso e que as situações teriam relação com uma eventual delação premiada envolvendo fatos ligados à Polícia Federal (PF). As informações foram divulgadas pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
O depoimento foi gravado em vídeo e prestado a um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça e a um procurador da República. Vorcaro afirmou que sua proposta de delação premiada teria sido recusada três vezes pela PF e disse acreditar que isso ocorreu porque poderia mencionar o nome do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
++ Richarlison aceita proposta do Trabzonspor e pode deixar o Tottenham pelo futebol turco
Durante o depoimento, Vorcaro relatou episódios que, segundo ele, ocorreram durante transferências entre estabelecimentos prisionais. Ele afirmou que teve os olhos vendados em uma dessas ocasiões e que passou calor dentro de um camburão. Também disse que agentes responsáveis por sua escolta afirmavam que ele permaneceria preso para sempre caso falasse sobre o diretor-geral da PF.
Vorcaro ainda comparou a situação que afirma ter enfrentado ao episódio envolvendo Nicolás Maduro quando foi sequestrado pelos Estados Unidos na Venezuela.
Segundo informações da jornalista Mônica, integrantes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) contestaram o relato. Segundo essas fontes, o ex-banqueiro não apresentou fatos concretos que caracterizassem maus-tratos e estaria tentando criar justificativas para uma nova negociação envolvendo uma colaboração premiada.
++ Eduardo Sacchiero recebe alta de clínica após tratamento contra depressão e dependência química
Interlocutores de Andrei Rodrigues também afirmaram que o diretor-geral da PF jamais teve relação com Vorcaro. De acordo com esse relato, os dois se encontraram apenas uma vez, de maneira casual, em Londres, durante um seminário jurídico organizado pelo grupo Voto.
O Banco Master patrocinou o evento, embora essa informação não fosse divulgada na época. Ainda segundo agentes ouvidos, Vorcaro poderia ter procurado diretamente a PGR para negociar uma delação, sem a participação da Polícia Federal.
O depoimento passou a ser interpretado por interlocutores como uma possível estratégia para que uma eventual colaboração de Vorcaro seja negociada sem a participação da PF e com integrantes da PGR aceitos por ele.


