Alison dos Santos, conhecido como Piu, escreveu mais um capítulo importante para o atletismo brasileiro nesta quinta-feira (27/8). Aos 26 anos, o atleta paulista venceu a etapa de Zurique da Liga Diamante e estabeleceu um novo recorde mundial nos 400m com barreiras, ao completar a prova em 45.80 segundos.
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A marca supera o antigo recorde de 45.90, registrado pelo norueguês Karsten Warholm na final dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021. Naquela ocasião, Piu terminou em terceiro lugar, com o tempo de 46.72, conquistando a medalha de bronze. Em Paris 2024, o brasileiro voltou ao pódio olímpico, novamente levando o bronze. Warholm ficou com a prata, enquanto o americano Rai Benjamin foi o campeão.
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A disputa em Zurique teve novamente Alison e Warholm como destaques. O brasileiro cruzou a linha de chegada em primeiro lugar, enquanto o norueguês terminou em segundo, com 46.69. O nigeriano Ezekiel Nathaniel ficou em terceiro, com 47.50.
O resultado confirmou o excelente momento de Piu na temporada. O brasileiro venceu todas as quatro etapas dos 400m com barreiras que disputou em 2026. Na semana anterior, na Silésia, ele já havia superado Warholm com 46.43, que era sua melhor marca no ano até então.
Após a prova em Zurique, Alison comemorou o recorde e ressaltou as mudanças em sua preparação: “A torcida e a energia estavam perfeitas. Acho que esta noite foi incrível para mim e para todos que vieram assistir, eu fiz isso por todos que estão aqui e também por aqueles que estavam acompanhando de casa. Espero que o Brasil tenha parado para assistir a isso tanto quanto as pessoas que estavam aqui no estádio.”
“Não tenho palavras para explicar o que aconteceu, além de dizer que acabei de quebrar o recorde mundial. Venho mostrando um ótimo desempenho ao longo da temporada, mostrando que estou rápido e forte. Mudamos muitos aspectos do meu treinamento e da minha preparação para as provas pensando neste momento. Estou largando mais rápido e terminando mais forte, e é isso que preciso fazer para conseguir quebrar um recorde mundial”, acrescentou.
O brasileiro também fez questão de mencionar seu treinador após a vitória e falou sobre a importância de manter sua personalidade nas pistas: “Desde que cruzei a linha de chegada, eu estava procurando pelo meu treinador. Eu era quem estava correndo, mas foi ele quem tornou tudo isso possível, alguém que acreditou em mim quando eu era mais jovem. Ele me ajudou a evoluir tanto como atleta quanto como pessoa. Ele é como um irmão mais velho, como um pai para mim. Levar a minha personalidade para a pista é muito importante. A ideia é poder inspirar novas pessoas: com cabelo, com joias, com energia e com passos de dança. Essas coisas também podem ser uma referência. Eu diria para a minha versão mais jovem que tivesse paciência, porque paciência é uma virtude.”
Matheus Lima também se destaca
Outro brasileiro também teve bom desempenho na prova. Matheus Lima, de 23 anos, terminou em quarto lugar, com o tempo de 47.57, apenas sete centésimos atrás de Nathaniel.
A evolução de Alison em 2026 acontece após duas medalhas olímpicas seguidas nos 400m com barreiras. Além do bronze em Tóquio, o brasileiro repetiu a colocação em Paris, em 2024, ficando novamente atrás de Warholm e Rai Benjamin.
Primeiro recorde mundial brasileiro em prova de pista
O feito em Zurique também colocou Alison dos Santos em uma lista histórica do atletismo nacional. O brasileiro tornou-se o primeiro atleta do país a estabelecer o recorde mundial em uma prova de pista.
O Brasil já havia registrado outros nove recordes mundiais no atletismo, todos em provas de campo ou estrada. O salto triplo concentra a maior parte desses feitos, com cinco recordes de Adhemar Ferreira da Silva, um de Nelson Prudêncio e um de João do Pulo. Esmeralda Garcia também chegou a estabelecer um recorde mundial no salto triplo feminino, em 1986, mas o resultado não foi homologado pela Federação Internacional de Atletismo.
Ronaldo da Costa completou a lista brasileira ao estabelecer, em 1998, o recorde mundial da maratona masculina, com 2h06min05s. Com o tempo de 45.80 em Zurique, Alison dos Santos agora passa a ocupar o topo da história dos 400m com barreiras.


