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Pergunta sobre documentário de Preta Gil na Globo levanta debate sobre sua relevância

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Na noite desta segunda-feira (20/7), enquanto a Globo transmitia o documentário sobre Preta Gil, meu marido, que não acompanha o universo das celebridades e nem possui redes sociais, fez uma pergunta que acredito que muita gente também tenha feito em silêncio:

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“Qual era a importância da Preta Gil para receber um documentário apenas um ano após sua morte?”.

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A pergunta não foi feita com ironia, preconceito ou julgamento. Veio de alguém que realmente desejava entender e, por isso mesmo, merece uma resposta.

Preta Gil

A importância de Preta Gil nunca esteve restrita à lista de músicas de sucesso, aos amigos famosos ou aos programas de televisão dos quais participou.

Ela fez da própria trajetória uma plataforma de afeto.

Muito antes de a palavra “representatividade” se tornar pauta diária, Preta já ocupava espaços afirmando que corpos gordos podiam usar biquíni, que mulheres podiam envelhecer sem precisar pedir desculpas, que era possível falar de autoestima sem esconder inseguranças e que a alegria também era um ato político.

Ela jamais tentou vender a imagem de mulher perfeita. Pelo contrário. Sempre demonstrou ser profundamente humana.

Ao descobrir o câncer, poderia ter optado pelo silêncio. Preferiu compartilhar medos, dores, recaídas, cirurgias, esperança e, acima de tudo, a vontade de viver.

Sem transformar a doença em espetáculo, fez dela um tema de conversa pública.

Milhares de pacientes encontraram nela alguém que conseguia expressar sentimentos que eles próprios não conseguiam verbalizar. Famílias passaram a debater o assunto em casa. Pessoas que nunca tinham feito exames preventivos decidiram marcar consultas.

Poucos artistas conseguem provocar esse tipo de impacto.

Talvez por isso, um ano após sua morte, o documentário “Preta Gil: Eu Não Ando Só” ainda mobilize tantas pessoas.

Nas redes sociais, o que mais se via não eram comentários sobre direção, fotografia ou linguagem do filme. O público falava sobre saudade, inspiração e sobre uma mulher que parecia ter pressa de viver. Muitos diziam nunca ter chorado tanto diante de um documentário. Outros resumiam o sentimento em poucas palavras: “Preta foi amada em vida”. Havia ainda quem destacava que o maior legado dela era justamente esse: lembrar que a vida não pode ser adiada.

No fim das contas, talvez essa seja a melhor resposta para a pergunta do Rafa.

Preta Gil se tornou personagem de um documentário porque, antes de tudo, foi personagem na vida de milhões de brasileiros.

Nem todo artista consegue deixar uma obra. Alguns deixam um sentimento.

E sentimentos, muitas vezes, sobrevivem por muito mais tempo do que qualquer sucesso nas paradas de música.

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