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Brigitte, de Tatá Werneck, causa debate em “Quem Ama Cuida” por comportamento obsessivo

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Poucos personagens de “Quem Ama Cuida” têm gerado tantas discussões quanto Brigitte, interpretada por Tatá Werneck. Nas redes sociais, parte do público critica o comportamento obsessivo da personagem e questiona o tom adotado pela novela. Por outro lado, há quem veja justamente nisso um dos principais acertos da trama.

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A verdade é que Brigitte está longe de ser uma personagem simples. Em poucos capítulos, ela já mostrou que não respeita limites, invade espaços, desenvolve obsessões e tenta controlar a vida das pessoas ao seu redor. O comportamento é incômodo, como precisa ser. Talvez o maior mérito da construção da personagem seja não transformá-la em uma vilã óbvia. Se Brigitte apresentasse todos os sinais tradicionais de alguém perigoso, dificilmente geraria tanto debate. O desconforto surge justamente dessa contradição.

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Ela age de maneira perturbadora, mas é apresentada ao público como uma mulher aparentemente delicada, educada e até divertida. E é aí que entra o trabalho de Tatá Werneck.

Durante anos, a atriz construiu uma imagem ligada ao humor, à espontaneidade e ao carisma. Naturalmente, parte do público ainda a vê sob essa perspectiva. Quando Brigitte aparece cometendo excessos e ultrapassando limites sem perder a aparência simpática, muitos interpretam isso como uma tentativa de suavizar comportamentos problemáticos.

Mas talvez a intenção seja justamente o oposto. O humor na personagem não provoca risadas fáceis. Em diversos momentos, causa um riso nervoso, desconfortável. É aquela sensação de assistir a uma cena e não saber ao certo se deve rir ou se preocupar. Essa ambiguidade parece totalmente proposital.

A escolha de Tatá também contribui para esse efeito. Uma atriz tradicionalmente associada a personagens sombrios faria o público perceber o perigo de imediato. Com Tatá, a percepção é diferente. O espectador demora mais para identificar a gravidade da situação porque a personagem surge envolta em simpatia.

Isso aproxima Brigitte de muitas pessoas manipuladoras da vida real. Nem todo indivíduo obsessivo tem aparência ameaçadora. Nem todo manipulador é agressivo o tempo todo. Muitas vezes, são pessoas carismáticas, agradáveis, divertidas e que conseguem conquistar a confiança de quem está ao redor. Talvez essa seja a camada que parte da audiência ainda esteja assimilando.

Há ainda outro ponto interessante. Entre os três filhos de Pilar (Isabel Teixeira), Brigitte parece ser a que mais herdou a principal característica da mãe: a habilidade de esconder intenções por trás de uma imagem aparentemente inofensiva.

As duas dominam a manipulação emocional, sabem despertar empatia quando lhes convém e entendem o poder da fragilidade como ferramenta de controle.

Por isso, talvez a discussão não deva se concentrar na pergunta “a novela está romantizando uma stalker?”. A questão mais relevante é: “a novela está mostrando que uma stalker pode não parecer uma stalker?”.

Se esse era o objetivo, a repercussão indica que a missão está sendo cumprida. Afinal, personagens esquecíveis não geram debates. E Brigitte, gostem dela ou não, já se tornou uma das figuras mais intrigantes de “Quem Ama Cuida”.

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