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Polícia de São Paulo indicia Deolane Bezerra e Marcola por organização criminosa e lavagem de dinheiro

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A Polícia Civil finalizou nesta sexta-feira (29/5) o relatório da Operação Vérnix e decidiu pelo indiciamento da influenciadora Deolane Bezerra, de Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, considerado líder do PCC, além de outros cinco investigados. Todos são suspeitos de envolvimento com organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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Deolane foi presa em 21 de maio em um condomínio de luxo em Alphaville, na Grande São Paulo. Segundo a apuração, ela teria recebido transferências financeiras de uma transportadora supostamente relacionada à facção criminosa e teria participado do esquema para ocultar patrimônio.

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De acordo com os investigadores, os materiais apreendidos durante a operação trouxeram novas provas que “reforçam os indícios de autoria e a materialidade dos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais”.

Agora, o relatório foi encaminhado ao Tribunal de Justiça de São Paulo, que irá analisar os pedidos feitos pela polícia. Entre as solicitações estão o bloqueio dos veículos apreendidos, ampliação das restrições sobre bens, guarda judicial de joias e relógios recolhidos na operação, além do compartilhamento das informações com a Polícia Federal (PF), diante de suspeitas de possíveis irregularidades tributárias.

A corporação informou ainda que segue analisando os objetos apreendidos e acredita que o material pode levar a novas etapas da investigação e à identificação de outros suspeitos.

Confira os indiciados:

Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior: irmão de Marcola, está preso no sistema penitenciário federal e, conforme o relatório, mantinha influência direta sobre a transportadora investigada. A polícia afirma que ele determinava a divisão e o destino dos valores por meio da filha, mesmo encarcerado.

Deolane Bezerra dos Santos: identificada como beneficiária de repasses financeiros ligados ao esquema e suspeita de participação na lavagem de dinheiro do PCC. A investigação aponta que ela também teria ajudado na reorganização da estrutura após a prisão de outros influenciadores ligados à facção.

Everton de Souza, conhecido como “Player do PCC”: teria atuado como intermediário financeiro da organização criminosa, ajudando na administração de bens e na movimentação de recursos destinados à liderança do grupo, especialmente Marcola e Alejandro.

Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho: sobrinho de Marcola e filho de Alejandro, aparece como um dos beneficiados pelo esquema de lavagem de dinheiro. A quebra de sigilo bancário revelou movimentações de cerca de R$ 746 mil, parte delas em depósitos em dinheiro vivo sem origem identificada. Conversas interceptadas mostram que ele recebia valores autorizados pelo pai.

Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola: atualmente detido em penitenciária federal, é apontado como principal líder do PCC e controlador da transportadora usada no suposto esquema financeiro.

Paloma Sanches Herbas Camacho: filha de Alejandro e sobrinha de Marcola, teria atuado como intermediária na gestão indireta dos bens do pai. Segundo a polícia, ela repassava ordens da cúpula da facção aos operadores da transportadora, indicando contas bancárias, percentuais e valores.

Eduardo Affonso Rodrigues: citado como responsável pelo setor contábil do esquema, teria criado e administrado empresas de fachada utilizadas por Deolane e Everton.

Relação entre Deolane e operador do PCC

A investigação relata que a aproximação da polícia com Deolane começou por Everton de Souza, conhecido como “Player” e “Temer”. Ele é visto pelos investigadores como operador financeiro da alta cúpula do PCC, responsável pelas movimentações patrimoniais e distribuição de recursos para Marcola e Alejandro.

Segundo a polícia, a ligação entre Everton e Deolane foi fundamental para reforçar a suspeita de envolvimento da influenciadora no esquema de lavagem de dinheiro.

Everton seria o gestor indireto da Lopes Lemos Transportadora, empresa considerada de fachada e criada a mando de Marcola e Alejandro. Conforme o relatório, ele recebeu R$ 28,7 mil da empresa por transferências bancárias e orientava o sócio-administrador a realizar depósitos para Deolane. A investigação aponta que os pagamentos faziam parte do chamado “balancete” mensal da facção e não tinham justificativa legal.

Em uma operação realizada em 2021, a polícia encontrou no celular do sócio-administrador comprovantes de depósitos feitos diretamente para a influenciadora. As transferências, entre agosto e outubro de 2020, totalizaram R$ 24,5 mil. A defesa de Deolane afirma que os valores são referentes a honorários advocatícios.

Os investigadores também identificaram mais de R$ 1 milhão em depósitos em espécie nas contas da influenciadora entre 2018 e 2021, sem origem comprovada. Os advogados dela alegam que o valor é fruto de sua atuação como advogada.

Além disso, Deolane aparece em registros policiais como representante legal de Everton e também como testemunha em casos em que ele aparece como vítima. Em depoimento, Everton declarou que alugava um apartamento de propriedade da influenciadora no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo, pagando R$ 5 mil por mês.

Para a polícia, depoimentos de ex-integrantes da facção e publicações em redes sociais indicam uma relação próxima entre os dois, incluindo a presença de Everton em eventos familiares promovidos pela advogada.

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