O pai de uma menina de dois anos que morreu atropelada no ano passado na cidade de Meijel, na Holanda, arremessou uma cadeira em direção ao juiz durante uma audiência. O gesto ocorreu logo após a leitura da sentença que condenou o motorista responsável pelo acidente a 120 horas de serviço comunitário.
O homem, um cidadão polonês de 33 anos, foi considerado culpado pelo acidente que matou a criança e também os avós dela, de 67 e 64 anos. O caso foi julgado no tribunal de Roermond. Duas semanas antes da decisão, o Ministério Público havia pedido uma pena de 15 meses de prisão. Logo após o anúncio da sentença, o pai da vítima reagiu e lançou uma cadeira que caiu no chão próximo ao magistrado. Policiais que estavam no local retiraram o homem da sala de audiência.
O acidente ocorreu em maio do ano passado, em uma curva leve da estrada Heldensedijk, em Meijel. Segundo a decisão do tribunal, ficou comprovado que o motorista perdeu o controle do carro, que passou a derrapar e acabou invadindo uma ciclovia, atingindo as vítimas.
A corte, no entanto, afirmou que não ficou comprovado que o motorista estivesse dirigindo em velocidade excessiva. A promotoria recorreu da decisão e citou investigação policial que indica que o veículo poderia estar a cerca de 120 km/h no momento do acidente, em um trecho onde o limite permitido é de 80 km/h.
Diante da repercussão e das críticas à sentença, o tribunal divulgou posteriormente uma explicação em seu site. De acordo com a corte, os dados indicam que o carro poderia estar entre 76 km/h e 124 km/h quando invadiu a ciclovia, o que não permite afirmar com certeza que houve excesso de velocidade. A Justiça também apontou que investigações indicaram que o motorista não estava sob efeito de álcool ou drogas, não utilizava o telefone celular no momento do acidente e não possuía antecedentes criminais.
A decisão gerou forte reação da família das vítimas. A mãe da criança se manifestou nas redes sociais após o julgamento. “O que tínhamos de mais precioso em nossas vidas foi tirado de nós e essa grande ausência é sentida a cada minuto do dia”, escreveu.
Ela também criticou a forma como o caso foi encerrado pela Justiça: “Nós temos uma pena de prisão perpétua. Nenhuma punição poderia compensar isso. Mas a forma como tudo está sendo tratado agora é inacreditável e desrespeitosa”.



