Há exatos 30 dias, Ágatha Isabelly e Allan Michael sumiram na zona rural de Bacabal (MA), sem que qualquer pista conclusiva tenha surgido desde então. A investigação é conduzida por uma força-tarefa coordenada pelo delegado-geral adjunto operacional Ederson Martins, que integra diferentes órgãos de segurança. Até o momento, o primo Anderson Kauan, de 8 anos, é o único familiar direto das crianças localizado, enquanto o secretário de Segurança do Maranhão, Maurício Martins, reforça o empenho contínuo nas buscas e na análise de provas.
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A apuração está a cargo de uma comissão especial composta por dois delegados de São Luís e por uma delegada de Bacabal, com o inquérito já ultrapassando 200 páginas. O relatório reúne depoimentos, reconstruções de trajetos, análises técnicas e relatórios entregues por todas as equipes envolvidas. Segundo Ederson Martins, “já temos 30 dias de investigação, uma apuração robusta, com muitas páginas e dezenas de pessoas ouvidas”, o que demonstra a complexidade do caso e o volume de material analisado.
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Entre as diligências realizadas, destaca-se a reconstrução do trajeto percorrido por um carroceiro, desde o ponto onde foi encontrado até a entrega no povoado, e a reconstituição do último local em que Ágatha Isabelly e Allan Michael estiveram juntos. Essa segunda etapa contou com a participação autorizada de Anderson Kauan, cujo testemunho foi fundamental para mapear a rota dos três. A técnica de reconstituição ajuda a entender o cenário e a sequência de acontecimentos, permitindo o cruzamento de versões e a validação de hipóteses.
Todos os documentos gerados pelas equipes de busca – incluindo Corpo de Bombeiros, Marinha e Exército Brasileiro – estão sendo compilados no inquérito como prova material. “Estamos requisitando documentos de todas as equipes, inclusive das que utilizaram cães farejadores e canoas. Esses registros são importantes, considerando a expertise dos cães farejadores”, explicou Ederson Martins. Relatórios de mergulhadores, botes, lanchas e dos operadores de side scan sonar também fazem parte do conjunto probatório.
Questionado sobre a divulgação de novos detalhes, o delegado Ederson Martins afirmou que apenas os dados já tornados públicos podem ser confirmados. A última localização conhecida das crianças foi em uma construção abandonada apelidada de “casa caída”. Para não comprometer as investigações, as autoridades decidiram manter o sigilo sobre eventuais descobertas subsequentes até a conclusão do inquérito, que só será encerrado após o esgotamento de todas as linhas investigativas.
Ágatha, Allan e o primo Anderson Kauan desapareceram quando saíram de casa para brincar e colher maracujá no Quilombo de São Sebastião dos Pretos, zona rural de Bacabal. Após três dias, Anderson foi encontrado por carroceiros em uma estrada do povoado Santa Rosa. As buscas posteriores percorreram mais de 200 quilômetros por terra e água, em áreas de mata fechada e de difícil acesso, mas Ágatha Isabelly e Allan Michael continuam desaparecidos.
Na fase inicial das buscas, a Marinha realizou varreduras ao longo de 19 quilômetros do rio Mearim, com cerca de cinco quilômetros examinados de forma minuciosa por meio de side scan sonar – um equipamento capaz de emitir ondas acústicas para identificar objetos submersos em águas turvas. A partir de 23 de janeiro, as operadoras de mata foram reduzidas, e o foco migrado para a inteligência policial, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA).
Mais de mil pessoas já participaram das ações, incluindo agentes da Polícia Civil, Força Estadual Integrada de Segurança Pública, Centro Tático Aéreo (CTA), Batalhão de Choque da Polícia Militar, Exército Brasileiro, Corpo de Bombeiros e Marinha. Drones com câmeras termais, aeronaves do CTA, mergulhadores e equipes de solo continuam em prontidão. A base de operações permanece instalada no quilombo São Sebastião dos Pretos, de onde as crianças saíram pela última vez. Anderson Kauan mantém o relato de que o grupo se perdeu após tentar evitar ser visto por um tio, e que a “casa caída” foi confirmada como ponto de passagem pelos cães farejadores.


